mar 26

         Fiquei triste a primeira vez que escutei Radiohead. Faz tempo. Acho que anos. Mais de dez anos. Acho que Creep. Sem dúvida Creep. Triste. Mas não acho que a música tenha me feito ficar triste. Acho que a música depertou uma tristeza que já havia em mim. E que precisava ser visitada. É isso que o Radiohead faz comigo. E acho que com quase todos: eles nos levam ao encontro de nossa própria melancolia. E desse encontro podemos transcendê-la. Superá-la. Ou ao menos confrontá-la.

        

         O som deles nos leva a esse lugar de nós mesmos. As guitarras e suas conversas iradas. O modo como a bateria ecoa. Como o baixo nos conduz. E a voz melancólica e introspectiva de Thom Yorke. Como nos arrebatam!

        

         Fui ao show do Radiohead domingo aqui em sampa. E foi uma experiência. Foi algo vivido. Não foi apenas “ir a um show”. Foi viver uma parada. Uma experiência. Foi visitar-me. Abordar minha melancolia. E alegrar-me por minha alegria. Sem negar a existência da minha melancolia. Uma experiência de som e luz. Silêncio e escuridão. Silêncio e escuridão no excesso de som e luz. Uma multidão ao mesmo tempo extasiada e silenciosa. Ora contemplando, ora cantando junto. A cada música. Vez em quando o grito vinha alto mesmo sem eu saber o que estava de fato dizendo. Não precisava entender em palavras. É mais que isso. É a comunicação por outras vias. Sem entender as palavras mas captando a essência. Vez em quando eu entendia tudo e a viagem continuava em outra dimensão de entendimento. Entende? A cada excesso de luz. A cada escuridão. A cada grito ou canto. A cada riff ou batida. A cada experimento sonoro transformado em rit, como ninguém fora eles o fazem. Como fazer experimentos musicais virar música pop? Não tem segredo: não tem resposta.

        

         O fato é que a banda Radiohead se colocou desde o começo na linha de experimentar texturas musicais com uma coragem e criatividade impressionantes. A linha de suas produções é rica e consistente. E ainda assim conseguiram fazer suas músicas ecoarem por todos os cantos do planeta.

        

         Senti orgulho por estar lá, em meio aquela multidão celebrando um acontecimento artístico daquele tamanho. Aquela entrega. Aquele som. Aquela luz. Aquele suor. E aquela dor nas costas. Tudo fazia parte do acontecimento. Um brinde. Viva Radiohead. E quando digo “viva Radiohead”, brindo não apenas uma banda, mas uma forma artística sem forma limitante, uma arte feita sem respostas, uma linha de pensamento artístico que se mostra única em forma e conteúdo.

 

 

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         CÁRCERE aconteceu com força em Cubatão e Taubaté esse mês. Agradeço aqui a confiança e a dedicação da galera do Teatro do Kaos em Cubatão e a todos do SESC Taubaté. Essas parcerias são entusiasmantes. Um brinde aos vivos encontros. E desses vivos encontros fiz dois novos DIÁRIOS DE BORDO DE UM PIRATA. Com Lourimar Vieira do Teatro do Kaos que ergueu um teatro em Cubatão. E com o ator que faz o personagem Philaderpho em Taubaté. Um grande empreendedor do teatro. Acompanhem abaixo.

 

Vinícius Piedade conversa com Lourimar Vieira no Diário de Bordo de Um Pirata em Cubatão- SP

 

http://www.youtube.com/watch?v=D3cYg9EWAhs

 

Vinícius Piedade conversa com Philaderpho no Diário de Bordo de Um Pirata em Taubaté-SP PARTE 1

 

http://www.youtube.com/watch?v=ykNFlUvBHCs

 

 

Vinícius Piedade conversa com Philaderpho no Diário de Bordo de Um Pirata em Taubaté-SP PARTE 2

 

http://www.youtube.com/watch?v=fZnCFzrx5YY

 

 

 

 

4 Responses

  1. Felipe Lamim Diz:

    Sua experiencia de auto-conhecimento fica muito interessantemento exposta em seus textos. Este, em especial, resgata além do que é sensível: o essencial. Ao ler sobre este movimento livre de sua essencia resignificando-te a todo momento, gostei…. MT BOM!!!

  2. Gus Potenza Diz:

    Estava lá também… pena não nos encontrarmos!

    Foi realmente extasiante! Sem palavras!

    E parabéns pelos 10 anos! :D

    Isso me fez pensar quando foi que me tornei músico… acho que nasci músico. Filho de Pianista clássica, a música entrou em mim desde a concepção!
    Mas quando me mostrei pelo primeira vez a um público foi em 1997, já faz 12 anos! Fiquei feliz ao lembrar disso e do começo de tudo. As dificuldades, as felicidades!

    Tenho apenas uma frase a citar:

    “Tudo vale à pena quando a alma não é pequena!”

    Estes somos nós e muitos outros brasileiros que matam um leão por dia e batem no peito e dizem: EU SOU!

    Grande abraxxx querido!
    Saudade!

  3. Mari Diz:

    EU FUI NO RADIOHEADDDDDDDDDDDDDDDDDDDDD!!!!!
    Vc falou maravilhosamente bem.
    Eu vou ser curta, grossa e sem educação: foi fudido!
    =)
    bjss

    p.s. te vi em santos, sem ter te encontrado em santos.
    uma foto, num folder, ta podeeeeeeeeeeeendo! depois mando por email. só pra causar uma pequeno drama e uma leve curiosidade hahahaha
    se cuida figura

  4. Ariny Diz:

    O ápice do texto: “E alegrar-me por minha alegria. Sem negar a existência da minha melancolia. Uma experiência de som e luz. Silêncio e escuridão. Silêncio e escuridão no excesso de som e luz.”
    Gostei da sua definição e envolvimento entre tristeza>alegria>melancolia. É o que sinto e penso.

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