Confesso ter torcido para o Rio perder na escolha para as olimpíadas. Não torci para algum outro ganhar, que fique claro, torci para o Rio perder. Como torço para o Palmeiras perder independente com quem joga. E meu problema não é com o Rio de Janeiro. Meu problema é com o Brasil e nossa visão terceiro-mundista.
Os argumentos para a realização das olimpíadas aqui sempre me deprimiram. Não sou um cara que costuma arrumar minha casa porque tem visita chegando. Arrumo por gostar de arrumação. Vez em quando adoro também uma bagunça proposital, chego em casa tirando os sapatos e me despindo pela casa deixando um sapato na sala, as meias no escritório, o outro sapato na cozinha, a camiseta no quarto, a calça no banheiro, a cueca sei lá onde. E se chegar visita surpresa, não saio recolhendo tudo em desespero. E se falo “não repare a bagunça”, é por pura convenção, já que o faço com a casa arrumada ou bagunçada. Acho que é a partir dessa perspectiva micro que penso na macro. O Rio melhorar como cidade em função de uma olimpíada, me parece uma coisa bem submissa. Lula me emocionou ontem com seu discurso, mas a fala de que com a olimpíada o Brasil passou a se ver como grande e abandonou aquele pensamento terceiro-mundista é contraditório: a visão de que aos olhos dos outros “nós podemos” é em si uma visão terceiro-mundista. “Construiremos uma cidade melhor para os outros verem que somos capazes”.
Vendo a ênfase que alguns meios de comunicação e seus artistas contratados davam para o tema, aquele orgulho pseudo-patriótico, não tive como não repudiar essa papagaiada. Ando cada dia mais questionador dessa “alegria desse povo sofrido”. Tenho concluído que todo esse carnaval nos transforma em imbecis passivos e conformistas. Os tais “artistas” contratados e seus argumentos vazios me fizeram torcer mais ainda contra a vitória do Rio.
Mas o Rio ganhou e me emocionei. Com Lula e Pelé aos prantos, correu aqui uma lágrima. Apenas uma. Concluí que se é dessa forma que haverá mais possibilidades de urbanização das favelas, saneamento básico, investimento nos esportes, infra-estrutura, transporte, despoluição da Baía de Guanabara, empregos, enfim, concluí o óbvio do óbvio, se é só dessa forma que conseguimos andar pra frente, que seja assim. Que assim que seja. Viva nossa visão terceiro-mundista.





outubro 3rd, 2009 at 12:56
Olha eu aqui mais uma vez ..rs ^^, devo confessar que tbm torci contra o Rio, nada contra o Brasil mas tenho uma visão muito parecida com a sua em relação ao que deve motivar um país a melhorar…
Mas trantado-se de Brasil a única conclusão é que esse é o jeito, e se assim é que realmente possamos chegar em 2016 com uma estrutura e um pensamento de primeiro mundo, afinal se tem uma coisa que brasileiro faz bem é sonhar..
Beijo moço e saravá
março 8th, 2010 at 9:49
Eu também não queria que o Rio ganhasse.
Nada contra o nosso país, mas acho que a dinheirama a ser gasta nas instalações da competição em 2016 (e sérias candidatas ao esquecimento pós-Jogos) deveria primeiro se aplicar a hospitais e escolas públicas. Ao contrário do que Lula quer que todo mundo acredite, o brasileiro ainda padece sim do velho pensamento terceiro-mundista e antiamericanista, fazendo-se de “vítima da perseguição das elites capitalistas internacionais” em vez de buscar o próprio desenvolvimento econômico-social.