dez 10

Segue abaixo texto publicado no site da editora Cousa, a editora independente que vai publicar meus livros.

 

Nasce Uma Editora

 Temos assistido e participado de um debate curioso. A “coisa” livro vai desaparecer? O meios virtuais vão substituir o livro papel, ou “coisa” livro, como armazenadores e repositores das idéias de nosso admirável mundo novo?

 A julgar pela lógica das editoras comerciais sim. Nunca se publicou tanto e, ao mesmo tempo, de maneira tão inútil como nos dias atuais. As livrarias convertem-se em lojas de pinduricalhos onde compramos chaveiros, bichos de pelúcia, obras de auto-ajuda e “literatura” fabricada para vender muito, consumidas em pilhas por leitores incapazes de fazer distinção entre a função de um livro, um chaveiro ou um bicho de pelúcia, todos misturados nas estantes e vitrines.

Os grandes editores dedicam-se a publicar essa “literatura” fabricada para ludibriar incautos. Quando muito, mantém coleções com clássicos consumidos por vendas governamentais para bibliotecas públicas ou raros estudantes que deixam de ler resumos para apreciar obras na íntegra. Não há investimento ou vontade de reeditar obras esquecidas dos vestibulares ou novos autores, principalmente novos autores.

Por outro lado, a difusão da criação literária por outros meios ganha importância. Blogs, sites, revistas eletrônicas, têm sido responsáveis pela difusão do melhor que vem sendo produzido em termos de literatura no país.

A coisa livro, assim, segue cada vez mais desvalorizada pela estrutura tradicional enquanto a literatura virtual ganha espaço.

Dizendo assim, parece que a coisa livro vai mesmo desaparecer.

Bem, esta não é nossa crença. Entendemos que o barateamento dos custos de produção de um livro e acesso a uma estrutura de vendas e distribuição cada vez mais eficiente via web, podem realizar uma revolução também na forma de conceber e reproduzir a coisa livro. Hoje é possível editar obras em tiragens pequenas e amplificar seu alcance via ebook usando a internet, por exemplo.

Desta forma, temos a confortável crença que a coisa livro não vai sumir. Mas vai ter que interagir com outros meios virtuais, tais como o formato ebook para continuar seu percurso.

Daí nasce a ediçõesCousa,  http://www.editoracousa.com/ , um selo editorial para produção e edição de livros de textos inéditos ou apenas publicados na internet, assim como de reedições de livros que por um motivo ou outro limitaram-se à 1ª edição, contemplando na segunda fase do projeto a distribuição via ebook.

Iniciamos em outubro de 2009, com a publicação do texto teatral Cárcere, de Saulo Ribeiro e Vinícius Piedade.

Em 16 de dezembro lançaremos o livro de poesias A Fábrica, de Danilo Ferraz.

Preparamos para 2010 a reedição dos dois livros de contos Trabalhadores de domingo Essas moças que me causam vertigem de Vinícius Piedade e a produção e edição do livro O óvulo e o ovo, tudo de novo de Cleibson Freitas.

Visite nosso site:
http://editoracousa.com/

 

 

 

2 Responses

  1. Felipe Lamim Diz:

    Bem, esta apresentação de uma nova proposta de confecção literária me fez lembrar dois textos: “L.I.V.R.O. A Maior Involução do Século” de Luiz Fernando Verissimo e “A Indústria Cultural” de Theodor Adorno. Eu concordo que o livro não vai morrer apesar de que tomará outras roupagens (outras mídias). Mas o fato de estar em outras mídias de forma alguma significará o fim de um dominio ideológico. De qualquer maneira, vejo esta proposta como válida, interessante e torço pelo seu sucesso literal e comercial. Um abraço.

  2. Amanda Paiva Diz:

    Acho eu na minha concepção que Livro será sempre Livro,independente de qualquer mídia…Mas pensar que não irei mas sentir o cheiro das folhas novas ao abrir a capa do livro,de não sentir o prazer de virar as páginas com minhas mãos,me deixa pensativa…Mas ler livro será sempre a maior aventura de todas as aventuras no inimaginável mundo da Imaginação,seja material ou virtualmente…

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