jun 8

Minha primeira invasão no Acre foi em 2006. Fiz o encerramento do Festival de Teatro com a peça CARTA DE UM PIRATA. Foi tudo muito rápido. Eu estava em Maresias-SP tentando pegar onda (e bebendo muita água do mar) e ao voltar para o carro vi que tinham 50 chamadas não atendidas no meu celular. O prefixo era 68. Não tinha a menor idéia de onde era esse prefixo. Ao ligar de volta me informaram que era do Acre (e eu nunca duvidei da existência do Acre como alguns imbecis costumam indagar). Disseram que meu espetáculo havia sido indicado por uma insistente moça que havia visto a peça no SESC Sorocaba. Pesquisaram sobre a peça e meu trabalho e constataram que aquele era o tipo de peça que queriam para encerrar o festival: uma peça focada no trabalho do ator. Três dias depois eu já estava a caminho de lá para uma das apresentações mais inesquecíveis dessa jornada pirata.

         Mais de 500 pessoas abarrotavam o Teatrão, como é conhecido lá o Teatro Plácido de Castro, e a navegação foi intensa.

         Faço um teatro que aposta não só no trabalho do ator, mas na imaginação do público. Se por um lado não tenho cenário, por outro, se ninguém imaginar o que proponho, a coisa não acontece. Não mostro o mar. Não mostro o barco. Não mostro concretamente. A busca é que através do corpo, movimentos, olhar, intensidade, o público veja. Tenho que ser convincente, mas tenho que contar com a disposição do público em “comprar a idéia”. Porque se não compra, a peça vira a história de um louco falando sobre nada. Ou tudo. O que talvez seja também uma boa idéia. Mas não é o objetivo. Então, em meio aquele teatro imenso, naquele palco que parecia um barco, jurei que estava em tempestade e o público acreditou. Jurei que estava em calmaria e o público concordou. Jurei que estava no fim e o público reclamou. Construímos juntos o acontecimento. Num dos momentos da peça eu dizia “que entrem os outros atores”, simbolicamente me dirigindo para piratas invisíveis. Mas no que eu disse isso, um bêbado subiu no palco! O que fazer? Ouví-lo foi a melhor alternativo. E ele recitou poesias de sua autoria. Depois de aplausos intensos, o conduzi até sua poltrona e continuei a peça. Depois me disseram que aquele era um dos poetas mais conhecidos da cidade que nos últimos tempos estava travando uma batalha contra o alcoolismo. Até o inesperado foi abraçado. Como no mar, em que os piratas tem que estar prontos para o que der e vier, com os olhos sorrindo, os cabelos ao vento e o peito aberto. Mesmo que seja o fim…

 

         Em 2007, novas pilhagens por lá. Fiz duas apresentações e novos passeios pela limpa e organizada cidade de Rio Branco. Foi uma delícia!

 

        E volto agora com a peça CÁRCERE. Faço uma apresentação do Pirata na sexta e CÁRCERE sábado e domingo. Tô empolgado.

 

NOVIDADE:

 

 

         Lancei em parceria com a Editora Cousa a nova versão do livro ESSAS MOÇAS QUE ME CAUSAM VERTIGENS. A parceria com essa editora me é ideal. Porque lá eu tenho independência e autonomia. O trato editorial com meus livros tem sido entusiasmante. Adorei as novas capas. Com a Editora Cousa lancei em parceria com Saulo Ribeiro o livro CÁRCERE (que é o texto integral da peça com fotos) e vou relançar TRABALHADORES DE DOMINGO (meu primeiro livro). Tô finalizando meu livro novo de contos que deve ser lançado no início do ano que vêm e escrevendo ao mesmo tempo meu primeiro romance. É isso.

         A partir do segundo semestre os livros poderão ser encontrados nas melhores e piores livrarias do país. Mas pra quem quiser encomendar pelo site é possível. Aí envio os livros pelo correio mediante depósito bancário. Qual vai querer?

 

Um beijo

 

vini

One Response

  1. Patricia R. Diz:

    Este comentário da semana me fez lembrar a primeira vez que vi Pirata, e achei interessante colocar esta minha impressão aqui.Não estava como “público” e ao mesmo tempo estava pois não trabalhei diretamente contigo neste dia, quem estava com você era meu outro colega. Mas entrei no espaço com todo o olhar crítico que tenho à respeito do local, por não ser uma sala de teatro, não ter acústica, não ter iluminação adequada, não sei se vc se ainda se lembra ? Ao lado de quadras desportivas, lembra??? Entrei com meu olhar e senso crítico, pensando : vou sentar perto da porta, para que possa sair a qualquer momento ! (estava em horário de trabalho,comoutros trabalhos). Aí o barco foi pro mar e todo meu senso crítico naugragou ali mesmo!Embarquei na viagem : vi o mar, ouvi o mar, senti a brisa, o calor, o vento. Senti maresia, náusea de barco, calmaria, via o tempo todo! Vi tudo mesmo ! O ator cresceu na minha frente, tomou conta do espaço! Senti falta de ar, afogamento,relaxamento nas ondas, boiei ! Mergulhei, afundei e voltei a tona ! No final fiquei totalmente sem graça por ter sentado perto da porta! foi isso…legal lembrei..aliás nunca esqueci…beijo,boa navegação, lembranças para o povo de lá com quem andei fazendo contatos!
    beijão

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