CÁRCERE

um solo de Vinícius Piedade

 

TRILHA SONORA DE MANUEL PESSÔA


TEXTO DE SAULO RIBEIRO E VINÍCIUS PIEDADE

 

SINOPSE

 

Cárcere apresenta uma semana na vida de um pianista que estando no cárcere (PRIVADO DA LIBERDADE E DE SEU PIANO) será refém numa rebelião iminente. Ele vive em ritmo de contagem regressiva e suas expectativas, impressões, lembranças, reflexões e sensações são expressadas por ele num diário que inicia numa segunda-feira e termina quando estoura a rebelião, um domingo.

 

APRESENTAÇÃO

 

A peça CÁRCERE é uma reflexão sobre a liberdade através dos olhos de um pianista privado da sua liberdade e de seu piano.

Depois de tempos tentando viver de sua arte e encontrando imensas dificuldades, acaba topando o convite de um “amigo” que lhe oferece um “bico” de venda de drogas, aproveitando o fato de ele ter contato com tanta gente nos tantos bares onde toca piano.

Estando no CÁRCERE tentando negociar com a direção do presídio a entrada de um piano para ensinar outros presos a tocar, líderes de facções criminosas acham que sua conversa com a direção é na verdade “gaguetagem” e acabam jurando-o de morte. A direção da cadeia numa tentativa precária de protege-lo, coloca-o na ALA DOS SEGUROS. O problema é que quando tem rebelião na cadeia, quem é candidato natural a refém é justamente quem está nessa ala. Quando começa a surgir um boato de que uma rebelião está na iminência de estourar, ele começa a escrever um diário. É aqui que começa a peça.

Esse pianista apelidado “Ovo” está numa semana decisiva, pois vive nessa situação limite de se tornar refém da tal rebelião.

A peça se passa justamente no período em que ele descobre que será refém, uma segunda-feira, até o dia em que estoura a rebelião, um domingo. Trata-se, então, da teatralização do diário escrito por esse preso na semana em que vive uma espécie de contagem regressiva.

Suas reflexões, lembranças e razões para continuar “se equilibrando na linha tênue entre persistir e desistir”, num momento em que está “na beira do vulcão que está pra entar em erupção, na linha do trem que está vindo, na mira da bala com a arma já engatilhada”, são expressadas por um ator solo no palco, porém, em vibrante contato direto e indireto com o público.

A proposta estética da peça percorre diferentes camadas e linguagens desde o humor corrosivo de um homem em estado de sítio à momentos essencialmente corporais. “Eu

preferia tocar piano e dizer o que tenho pra dizer em ritmo e disritmia, mas como aqui não tem piano eu escrevo, mesmo sem saber fazer poesia”.

As diferentes dinâmicas da proposta dramatúrgica acabam se completando, caracterizando assim a proposta estética do espetáculo, nessa reflexão sobre a liberdade nossa de cada dia. Não se busca explicá-la e sim provocar uma reflexão sobre o que ela é pra cada um.

Através de uma linguagem acessível por ser visceral, a peça CÁRCERE traz à cena diferentes camadas de profundidade que visam proporcionar ao público um mergulho em diferentes perspectivas de ser e estar preso. Ou livre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONCEPÇÃO E PARCERIAS

 

Depois de percorrer alguns presídios do estado do Espírito Santo apresentando o espetáculo solo CARTA DE UM PIRATA (há oito anos em turnê), Vinícius Piedade propôs ao dramaturgo Saulo Ribeiro uma peça que refletisse sobre a liberdade através dos olhos de um pianista privado da sua. E privado também de sua arte, do seu piano.

Na criação do texto o co-autor Saulo Ribeiro se baseou em acontecimentos reais dos quais teve conhecimento e vivência na época em que foi professor no sistema prisional (na cadeia).

Foi Saulo quem levou Vinícius Piedade aos presídios do Espírito Santo para se apresentar. Nessa busca de encontrar o público onde quer que esteja, a peça foi apresentada em Presídios de Seguros, Presídios de Segurança Média, Presídios Feminino e Presídios de Reabilitação. Depois dessas apresentações, desse encontro do artista e sua peça com esse público em situação limite, o ator quis expressar e investigar a liberdade. E escolheu para isso falar de um preso em situação limite.

Sua busca, que a princípio era simplesmente realizar a peça nesse contexto, por julgar o teatro uma arte humanizante, passou a ser investigar artisticamente essa questão. E para isso contou com a arte de Saulo Ribeiro, historiador, escritor, advogado e ex-professor no sistema prisional. O processo de escrita da peça ocorreu há quatro mãos, numa parceria entre Ribeiro e Piedade.

O pianista Manuel Pessôa também foi um parceiro decisivo nessa construção, sendo responsável pela criação musical que permeia toda a peça. Em determinadas ocasiões, Manuel Pessôa executa a trilha ao vivo com o piano.

A relação do ator com a trilha sonora é muito intensa, já que a música entra como um fator decisivo na estética de impacto. O fato de o preso ser pianista intensifica mais ainda a presença da música, que passeia em diferentes intensidades em consonância com os momentos vividos pelo preso.

 

FICHA TÉCNICA

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Direção, iluminação e atuação:

Vinícius Piedade

 

Texto:

Saulo Ribeiro e Vinícius Piedade

 

Trilha Sonora:

Manuel Pessôa

 

Concepção visual:

Márcio Baptista

 

Figurino:

Cynthia Guedes

 

Fotos:

Joffre Oliveira