IDENTIDADE(...)

um solo de Vinícius Piedade

 

com Trilha Sonora Original de Manuel Pessôa de Lima

e Iluminação de Aline Santini

 

Sinopse

 

Um publicitário sofre uma amnésia repentina justamente quando assina contrato com uma empresa de sabão em pó para uma campanha publicitária chamada “identidade”. Nessa crise criativa desencadeada pela amnésia, ele decide ir ao encontro dos amigos de adolescência para saber se o que ainda resta de sua memória, justamente essa fase de construção de identidade, é sua imaginação ou se de fato aconteceu, tentando com isso reconstruir sua identidade.

 


Apresentação

Um publicitário em uma semana decisiva de sua vida profissional, é acometido de uma amnésia repentina enquanto espera suas bagagens em frente a uma esteira no aeroporto. Primeiro, ele não sabe qual é a sua mala. Depois, não sabe onde está e, em seguida, não sabe quem é. Assim começa o quebra-cabeça de Identidade (...)

Aos poucos ele vai se lembrando quem é e o que faz da vida, mas não como se tornou quem se tornou.

Ele acaba de assinar um contrato para a campanha de publicidade de uma empresa de sabão em pó. O nome da campanha é “IDENTIDADE” e enquanto busca entender quem foi até então para saber o que fazer dos seus rumos, precisa criar essa campanha que afirma que o uso daquela marca de sabão em pó é mais do que uma simples escolha de produto e sim a afirmação de uma identidade.

Mas uma crise criativa em função da amnésia inviabiliza esse trabalho. Disposto a recuperar a sua essência criativa e questionando suas origens, ele decide descobrir se suas lembranças de fato aconteceram ou se são ficções de sua imaginação.

Quando num estalo de dedos ele se lembra de um período específico de sua vida, justamente o período da construção da identidade, a pré-adolescência, ele decide ir ao encontro dos seus cinco inseparáveis amigos daquela época, Espuleta, Batata, Potí, Marquinhos e Tatu, pra saber se o que lembra de fato aconteceu.

Nesse reencontro com o passado, ele vai consultar cada um deles sobre determinadas lembranças. E mais do que isso, vai descobrir o que cada um se tornou. Ou o que cada um fez da vida. Ou o que a vida fez de cada um deles.

Mergulhado nesse paradoxo, ele começa a se questionar o que foi até então e as razões dos rumos da sua vida. Nesse ínterim e inspirado nas suas buscas, ele consegue criar algumas propagandas da campanha publicitária pra empresa de sabão em pó.

Nesse paradoxo do que ele foi e do que se tornou, ele começa a definir o que será de sua IDENTIDADE.

 

 

 

 

 

 

 

 

Concepção (e encenação)

 

A escrita cênica de IDENTIDADE(...) busca inserir o espectador no contexto labiríntico da mente do personagem. A medida em que os fragmentos de lembranças começam a dar luz a sua identidade, o ator no palco vazio expressa o lembrado montando o quebra cabeça de sua vida.

Sendo assim, a encenação no palco vazio passeia na poética do passado e na crueza do presente do personagem. A “presentificação” de suas lembranças longínquas e recentes dialogam a todo instante com suas questões mais urgentes. Como a própria criação publicitária da campanha IDENTIDADE para a empresa de sabão em pó, que é feita em contato direto e colaborativo do público.

A iluminação desenha no espaço o ambiente concreto e metafórico do personagem, de modo que ao mesmo tempo em que possibilita a diferenciação de lugares, expressa também a temporalidade da cena.

A música de IDENTIDADE(...) traz à tona a pulsação interna do próprio ator dando vida ao publicitário Rogério Marques. É a partir do ritmo do texto, da construção rítmica do corpo na cena, que a música marca sua estrutura, se esquivando do registro simples de “trilha sonora”. Ou seja, ao invés de imprimir climas para cena (música triste para cena triste, música alegre para cena alegre, etc), a música entra como um elemento subliminar de tensão do discurso durante toda a obra na forma de um contraponto rítmico com o ator.

Portanto, o fio condutor que liga cena e texto é sobretudo rítmico e não “harmônico/melódico” e interliga-se com a própria concepção de luz. O tempo e espaço do personagem, que tenta tatear a realidade ao seu redor durante o transcurso da peça é constantemente atravessado por interrupções de fluxo, por quebras de ritmo.

Esse fluxo rítmico tem uma “personificação abstrata” na cena, por meio da iluminação interligada com a música.

 

Ficha Técnica

 

Texto, direção e interpretação:

Vinícius Piedade

 

Trilha sonora original:

Manuel Pessôa de Lima

 

Iluninação:

Aline Santini

 

Figurino

Mário Queiroz

 

Assistente de direção:

Simone Carleto

 

Fotografia:

Alice Arida, Ariny Bianchi

 

Operador de Luz e Som:

André Rodrigues