Posts Em Destaque

SEBASTIÃO SALGADO ou 01/01.

February 22, 2016

 

Era dia 1.
Não qualquer dia 1. Era 01/01. do 16. 01/01/16.
Quase sempre chove no dia 01 do um de qualquer ano (lembro de chuva no ano 13, no ano doze, no ano dez, no ano 009, no ano oito, e assim por diante – isso pra não ir pro século passado).
MAS TALVEZ A MELANCOLIA PÓS-ALEGRIA EXCESSIVA DA VIRADA DE ANO ME TRAGA A SENSAÇÃO DE UMA CHUVA QUE TALVEZ NEM SEMPRE TENHA CAÍDO.
Me isolei num quarto escuro no começo da noite como que pra não ver a chuva que caía lá fora.
Na cama o computador e um filme salvo no HD. 
Um filme que estava salvo pra me salvar de um momento como aquele. 
Um documentário. Aquele sobre o fotógrafo. O maior. O Salgado. O Sebastião.
Quem não calou com alguma imagem eternizada por ele? Quem não calou? Quem? Não? Calou?
Pois entender um pouco da trajetória do homem daquelas fotos, DAQUELAS FOTOS, foi arrebatador. 
O homem que foi ao encontro do caos. 
Da barbárie. 
Da dor. Da fome. 
E fez um retrato de um tempo. De uma era. Era nossa. Era dele. Um self dos nossos tempos. 
E radiografou uma espécie. A espécie humana. 
Fotografou muito. Até cansar. Até não poder mais.
Até desistir de tal espécie. Até desistir de tudo. 
Até (re)começar o todo. Até reconquistar a vida. A sua. Ao menos. 
Animal ferido. 
Des-domesticando os hábitos. 
O mundo é aquele que você vê de onde você está? 
Ou o mundo é o que você quer ver independente de onde esteja?
Desistir de tudo ou de todos? Desistir de si? 
Do fim pro começo.
Da desumanidade humana que leva ao fim, para o começo de tudo.
PÁRA TUDO?
Gêneses. 
Animal em si. De si. Rastejando-se num mundo falido.
Acreditar-se?
Desmatando-se ou matando-se? 
Como você se tornou isso que você é hoje?
Repetição.
Sal da vida.
Terra. Sal.
Desacreditar do que vê. Do que fez enquanto espécie. 
Os atos de sua espécie são seus?
Eternizar a dor com ou sem flash. 
Um diretor que já não crê nos anjos que passeiam sobre Berlin filmou o fotógrafo.
Eternizar digitalmente ou analogicamente sua insanidade. 
Quem são as vítimas? 
Os carrascos escondem a cara? 
Ou estão refletidos nos olhos dos flagelados?
Os flagelados tornam-se bichos?
SERÁ QUE EU DEVIA VER UM FILME DESSE LOGO NO PRIMEIRO DIA DO ANO?
Começar de novo. 
A chuva aumentou lá fora no mesmo momento em que percebi que apesar de tudo, nenhuma lágrima me caiu. Nenhuma. 
Ter consciência da nossa precariedade nos faz sádicos ou masoquistas?
Eternizar-nos pra nós mesmos refletirmos no sentido espelho e no sentido intelectual do termo.
Plantar um novo mundo num terreno ex-fértil é possível?
Que as fotos do Sebastião nos conte. Que o Salgado nos mostre. 
Nos salve... de nós?
Calado. Estou. Desde então. Mesmo que falando, falando, falando.
Gênese.
01/01.
(publicado no BLOG do site viniciuspiedade...).

 

Please reload

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Posts Recentes

November 6, 2019

September 17, 2019

September 12, 2019

September 9, 2019

August 19, 2019

August 12, 2019

August 5, 2019

August 2, 2019

June 16, 2019

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload