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SEBASTIÃO SALGADO ou 01/01.


Era dia 1. Não qualquer dia 1. Era 01/01. do 16. 01/01/16. Quase sempre chove no dia 01 do um de qualquer ano (lembro de chuva no ano 13, no ano doze, no ano dez, no ano 009, no ano oito, e assim por diante – isso pra não ir pro século passado). MAS TALVEZ A MELANCOLIA PÓS-ALEGRIA EXCESSIVA DA VIRADA DE ANO ME TRAGA A SENSAÇÃO DE UMA CHUVA QUE TALVEZ NEM SEMPRE TENHA CAÍDO. Me isolei num quarto escuro no começo da noite como que pra não ver a chuva que caía lá fora. Na cama o computador e um filme salvo no HD. Um filme que estava salvo pra me salvar de um momento como aquele. Um documentário. Aquele sobre o fotógrafo. O maior. O Salgado. O Sebastião. Quem não calou com alguma imagem eternizada por ele? Quem não calou? Quem? Não? Calou? Pois entender um pouco da trajetória do homem daquelas fotos, DAQUELAS FOTOS, foi arrebatador. O homem que foi ao encontro do caos. Da barbárie. Da dor. Da fome. E fez um retrato de um tempo. De uma era. Era nossa. Era dele. Um self dos nossos tempos. E radiografou uma espécie. A espécie humana. Fotografou muito. Até cansar. Até não poder mais. Até desistir de tal espécie. Até desistir de tudo. Até (re)começar o todo. Até reconquistar a vida. A sua. Ao menos. Animal ferido. Des-domesticando os hábitos. O mundo é aquele que você vê de onde você está? Ou o mundo é o que você quer ver independente de onde esteja? Desistir de tudo ou de todos? Desistir de si? Do fim pro começo. Da desumanidade humana que leva ao fim, para o começo de tudo. PÁRA TUDO? Gêneses. Animal em si. De si. Rastejando-se num mundo falido. Acreditar-se? Desmatando-se ou matando-se? Como você se tornou isso que você é hoje? Repetição. Sal da vida. Terra. Sal. Desacreditar do que vê. Do que fez enquanto espécie. Os atos de sua espécie são seus? Eternizar a dor com ou sem flash. Um diretor que já não crê nos anjos que passeiam sobre Berlin filmou o fotógrafo. Eternizar digitalmente ou analogicamente sua insanidade. Quem são as vítimas? Os carrascos escondem a cara? Ou estão refletidos nos olhos dos flagelados? Os flagelados tornam-se bichos? SERÁ QUE EU DEVIA VER UM FILME DESSE LOGO NO PRIMEIRO DIA DO ANO? Começar de novo. A chuva aumentou lá fora no mesmo momento em que percebi que apesar de tudo, nenhuma lágrima me caiu. Nenhuma. Ter consciência da nossa precariedade nos faz sádicos ou masoquistas? Eternizar-nos pra nós mesmos refletirmos no sentido espelho e no sentido intelectual do termo. Plantar um novo mundo num terreno ex-fértil é possível? Que as fotos do Sebastião nos conte. Que o Salgado nos mostre. Nos salve... de nós? Calado. Estou. Desde então. Mesmo que falando, falando, falando. Gênese. 01/01. (publicado no BLOG do site viniciuspiedade...).

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