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Vez em quando

May 20, 2016

Vez em quando a sorte me diz, sou tua. Vez em quando o azar me sussurra, você é meu.

Vez em quando o destino é meu caminho. Vez em quando meu caminho é sem destino.

Vez em quando escolho me lembrar. Vez em quando me esqueço de escolher.

Vez em quando não escolho o meu destino. Vez em quando o destino me escolhe.

Vez em quando a estrada é sem fim. Vez em quando dou com a cara no muro.

Vez em quando a paz me parece apatia. Vez em quando quero apenas um domingo de chuva pra ficar em casa vendo filmes do Woody Allen ou lendo os Coetzees que ainda me faltam.

Vez em quando X Salada é a saudável pela salada. Vez em quando o X da questão é caprichado no bacon e na maionese (ou maionese com bacon).

Vez em quando penso em comprar novos eletrodoméstico de inox. Vez em quando invejo os nômades sem destino.

Vez em quando meus olhos verdes ficam azuis. Vez em quando eu uso óculos escuros.

Vez em quando a noite é uma criança. Vez em quando me sinto velho como um jovem.

Vez em quando suas opiniões me parecem fundamentadas. Vez em quando me pergunto de onde você tirou essa ideia tão esdrúxula.

Vez em quando eu lembro do que poderia ter sido se eu tivesse feito aquilo que sei que deveria ter feito. Vez em quando me arrependo de ter feito o que sei que não deveria ter feito.

Vez em quando caldo de cana me dá náuseas. Vez em quando é sexta-feira de feira.

Vez em quando o espelho me grita um mundo mostarda. Vez em quando me espelho no seu olhar.

Vez em quando sopa me lembra noites tristes. Vez em quando cerveja gelada refresca a vida.

Vez em quando encontro a solução num banho longo irresponsável. Vez em quando sou responsável por toda infelicidade que não me cabe.

Vez em quando seu batom me marca. Vez em quando marcamos de nos desencontrar.

Vez em quando minhas certezas políticas me fazem gritar palavras de ordem com o dedo em riste. Vez em quando não sei pra quem votei pra vereador, deputado estadual e deputado federal.

Vez em quando forço o riso pra que ele saia intenso e pra que eu pareça simpático. Vez em quando choro ouvindo o tom do Jobim.

Vez em quando penso em ter filhos daqui a dez anos. Vez em quando grito com minha mãe.

Vez em quando lembro de olhar o pôr do sol. Vez em quando lembro que as estrelas que eu vejo no céu já não existem mais.

Vez em quando sinto pena dos que me pedem dó. Vez em quando sou indiferente a minha própria dor.

Vez em quando eu fico feliz com o dia de hoje. Vez em quando não vejo a hora de depois de amanhã.

Vez em quando sinto o cheiro da comida antes de sentir seus gostos. Vez em quando mordo minha língua.

Vez em quando dormir me dá preguiça. Vez em quando me sinto na hora errada no lugar errado o tempo todo.

Vez em quando deleto as tantas fotos que tirei na viagem. Vez em quando perco a máquina fotográfica com todas as fotos da minha vida.

Vez em quando acaba a bateria no meio da minha fala. Vez em quando acaba o assunto e ficamos os dois sem saber o que fazer pra acabar com o insuportável silêncio opressor.

Vez em quando falta dinheiro pra pagar a vida. Vez em quando prato-feito.

Vez em quando fico triste com a morte de pessoas que nunca vi na vida, mas que cantaram músicas que em algum momento me emocionaram. Vez em quando vejo fantasmas.

Vez em quando o caos é minha casa. Vez em quando passo pano no chão até ver brilho.

Vez em quando espero a hora de dizer o que penso enquanto ouço coisas que dispenso. Vez em quando repenso.

Vez em quando qualquer ruído me convoca pra dança. Vez em quando me sinto de gesso.

Vez em quando fico com alergia que me irrita corizamente. Vez em quando me drogo com remédios comprado em uma das drogarias que existem a cada esquina desse país de hipocondríacos.

Vez em quando os dias feios são os melhores. Vez em quando a lua me brilha.

Vez em quando lembro de detalhes da minha infância com tanta precisão que chego a achar que é pura invenção da minha imaginação. Vez em quando jogo coisas guardadas no fundo do baú no lixo me dando a sensação de renovação.

Vez em quando passo as tardes contando as horas que parecem passar a conta gotas. Vez em quando faço aniversário.

Vez em quando lamento. Vez em quando faço brindes sem motivo aparente.

Vez em quando discordo com o que concordo pra tentar entender a questão por outro lado. Vez em quando a dialética é o sal da vida.

Vez em quando a meia furada me faz repensar a vida. Vez em quando a gravata me faz ridículo.

Vez em quando meu cinismo me deixa preocupado. Vez em quando distorço os fatos em nome de Alá.

Vez em quando a madrugo pra dormir. Vez em quando sonhos são apenas sonhos.

Vez em quando me contento em ser contente. Vez em quando tristeza não tem fim felicidade sim.

Vez em quando me faltam ideias pra dizer vez em quando. Vez em quando sinto que não sou quem deveria ser.

Vez em quando a experiência é o que conta. Vez em quando somos tão jovens, tão jovens.

Vez em quando vivo uma novela. Vez em quando poesia.

Vez em quando o silêncio. Vez em quando grito gol.

Vez em quando cama, mesa e banho. Vez em quando tosa.

Vez em quando selinho. Vez em quando pênalti.

Vez em quando desejo o impossível. Vez em quando planto contos.

Vez em quando errar é humano. Vez em quando te espero na saída de qualquer lugar.

Vez em quando as estatísticas me convencem. Vez em quando ignoro as porcentagens.

Vez em quando racionalizo as emoções. Vez em quando sua voz é jazz+blues.

Vez em quando procuro problemas como um matemático. Vez em quando sou meu próprio rato de laboratório.

Vez em quando serenidade. Vez em quando Led Zeppelin.

Vez em quando filosofo em francês. Vez em quando decido morar do outro lado do outro oceano.

Vez em quando durmo pra existir menos. Vez em quando Nietzsche é minha auto-ajuda.

Vez em quando revejo filmes que me marcaram a memória emocional. Vez em quando to be or not to be. Vez em quando o verão tem cara de primavera. Vez em quando o inverno começa no outrono.

Vez em quando o riso me sai fácil. Vez em quando fico feliz por você.

Vez em quando só observo. Vez em quando viajo na maionese.

Vez em quando coca zero. Vez em quando açaí vale por um bifinho.

Vez em quando a indignação é minha voz. Vez em sonho que estou de volta na quinta série naquela prova de química que eu nunca consegui resolver.

Vez em quando seus gemidos me são combustível. Vez em quando batuco em qualquer madeira que ecoe meu falso samba.

Vez em quando eu me repito. Vez em quando contradição.

Vez em quando finjo assobio tango. Vez em quando todo santo dia santo jazz.

Vez em quando aprendo a desaprender. Vez em quando releio ou revejo aquilo que naquela ocasião me causou tanta coisa e percebo que o que agora me causa é outra coisa.

Vez em quando não entendo o que escrevo. Vez em quando não racionalizo.

Vez em quando eu me pego repetindo quase que inconscientemente a tabuada do 7 que eu não sabia quando deveria saber e naquela prova oral fiquei gaguejando até levar um 0 e hoje me sinto preparado e com vontade de reencontrar aquela professora e aqueles alunos e aquela sala de aula e aquela chuvinha lá fora e aquele cheiro de macarrão parafuso da merenda e antes que a professora pergunte vou dizer como quem declama começando com 7 X 8 pra humilhar e provar que sim, hoje com 35 anos (7 X 5) eu sei a tabuada do 7. Vez em quando esqueci o que ia dizer.Vez em quando me atualizo da mediocridade nossa de cada dia zapeando na TV. Vez em quando deito na rede olhando o teto.

Vez em quando raciocínio. Vez em quando bate e pronto.

Vez em quando começo. Vez em quando meio.

Vez em quando...


 

 

 

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