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Fragmentos de Pais e Filhos

August 4, 2016

Pai- Meu deus! Você decorou esse texto?
Filho- Decorar é o de menos. Decorar é apenas repetir. Repetir. Repetir. A arte não está em decorar. Nunca elogie um ator por ter decorado um texto. É um equívoco. A arte não está em decorar. A arte está no vácuo de tempo entre as palavras. Nos ritmos, des-ritmos, contra-ritmos, anti-ritmos. Nas curvas respiratórias. Na presença que cria universos efêmeros. No olhar que ressignifica o existir. Até a baba babada nas palavras certas. Percebe isso?
Pai- Nossa. Falou bem de novo. Decorou isso também? Foi vibrante. Mas mais pelo jeito que disse o texto do que pelo texto em si. No papel apenas reproduções de conceitos óbvios que, como você disse, são babados. 
Filho- Somos todos tão óbvios?
Pai- Tentamos ser únicos. Nos acreditamos singulares. 
Filho- Qual é o lugar comum realmente comum a todos nós? Ex-consciente coletivo?
Pai- Bom senso é bom senso em relação a quê? Já me perguntei isso antes. Não quer continuar sua representação do filho que deu certo?
Filho- O filho deu certo? O pai deu errado? Existe mal senso?
Pai- Às vezes você me deixe sem palavras. Mas deve ser essa sua intenção. São perguntas retóricas.
Filho- Eu não tenho essa certeza. Não deixo o cinismo que há em mim falar alto demais. Mesmo que ele sussurre fatalidade todos os dias de manhã fingindo dizer bom dia. Busco fazer o que acredito não porque tenha tanta certeza nisso que digo “acredito”, mas por ter certeza do que não quero pra mim. Esse é o ponto. Sei mais do que não quero do que o que quero.

(fragmento de PAIS E FILHOS, parte 2 de LASANHA DE BERINJELA AO MOLHO BRANCO QUEIMANDO EM FOGO BAIXO. Em processo. ComEvas Carretero e Roberto Borenstein

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