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Abertura das Olimpíadas do Rio de Janeiro

August 6, 2016

Fiquei muito emocionado com as reverberações de tantos sobre a festa de Abertura das Olimpíadas. Como estava apresentando teatro no mesmo horário do evento, me restou assistir aos melhores momentos, como quem busca ver só os gols de uma partida decisiva. Mas antes de fazê-lo eu quis ler os comentários dos tantos amigos nas redes sociais. E foi exatamente isso que tanto me emocionou. Era como se nosso fatalismo com os rumos políticos/sociais do país nos fizesse até então assumirmos uma visão pessimista sobre absolutamente tudo do Brasil e sobre nossa capacidade de superação (superada). A polaridade que nos jogou num cabo de guerra ideológico (mesmo os sem ideologia nenhuma) sem rumo e sem fim parece ter nos transformado em seres absolutamente autodepreciativos. Pois bem, sou um daqueles que ficou feliz com a nomeação do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas. Achei mesmo uma grande oportunidade (na época). Lembro-me de ter socado o ar quando a cidade foi eleita, tal como fez Pelé quando abraçava Lula e outras personalidades brasileiras que trabalharam por isso. Na época muita gente disse que aconteceria o que de fato aconteceu: superfaturamento das obras, corrupção, jogo político e outras mazelas que parecem introjetadas nessas nossas almas. Mas eu quis crer que seríamos capazes de mais que isso. Eu quis crer que poderíamos superar a nossa fraqueza e mediocridade. E é evidente que eu e tantos outros que acreditaram, caímos do cavalo. E não falo da vergonha que estamos passando por todo o mundo com as condições do país no momento. Não estou preocupado com o que “vão pensar da gente”. Não gostaria de que todos vissem uma falsa realidade (ou um país de fachada). Mas como aqui a realidade é múltipla como em qualquer país com tanta desigualdade (e falo de todo tipo de desigualdade possível e imaginável) é possível enxergar a tal realidade por muitas perspectivas. É claro que é deprimente não cumprimos o prazo de entrega da Vila Olímpica ou mesmo não conseguirmos realizar a despoluição da baía de Guanabara que será ainda assim usada pelos velejadores (e outros competidores). Mas mais do que fazer uma boa imagem para os outros, precisamos entender qual é a imagem que nós podemos ter de nós e pra nós mesmos. Penso antes na nossa incapacidade de fazer um país melhor pra nós mesmos. E foi isso que me entristeceu profundamente. Era como se eu tivesse que dizer para os cínicos odiosos que odeiam-se por terem nascido aqui “você tinha razão: somos uma merda”. O problema é que não nos acho uma merda! Acho-nos precários, o que é bem diferente. É evidente que colocar a culpa de nossas mazelas em nossa classe política me parece absolutamente cômodo no sentido de que tiramos do nosso colo o peso da responsabilidade por tanta precariedade. Precisamos nos acreditar capazes de ir além de uma visão deprimente e impotente sobre o que nos tornamos. É um passo pra superar tal condição. E dentro dessa perspectiva tal classe política haverá de ser outra!
O tal orgulho de ser brasileiro pregado pela TV Globo e seu nacionalismo ególatra e doentio é muito distante das reverberações de alegria que li de tantos. O editorial da Globo que busca fabricar heróis numa escala sempre comparativa nos torna mais vira-latas que o discurso dos fatalistas que tudo odeiam. Nesse sentido ambos se completam, os que tudo odeiam e os que tudo amam. Não é a isso que me refiro ao expor minha alegria ao sentir que podemos acreditar em nós mesmos. 
É evidente que o quadro político tumultuado não será “curado” do dia pra noite. Os novos liberais tem certeza que temos que virar à direita. Outros tantos apostam que só há saída na próxima curva à esquerda. Continuaremos debatendo isso. Mas eu torço pra que em breve nosso debate seja em alto nível, sem tanto ódio ou ressentimento. A dialética um dia vai nos fazer crescer. Mesmo que isso não seja pra logo, temos que desejar isso pra breve. Pra mim está muito claro que nem mesmo novas eleições vão colocar nossa democracia “nos trilhos”, já que o precedente que se abriu poderá causar contestações sobre os novos eleitos por um longo tempo. 
O desconforto com o cara sentado na cadeira da presidência da república sem a mínima legitimidade não conseguiu atrapalhar a euforia de tantos pelo que fomos capazes de realizar. E é por aí. Temos que ir além de nós! E tal realização se dá na nossa euforia e orgulho por sermos o que somos enquanto sociedade e pelo que poderemos ser a partir do modo como nos vemos. E repito, não falo de um orgulho nacionalista acéfalo (narrada pelo Bueno Galvão). Nossa capacidade de nos superarmos na precariedade é o que foi exaltado. Mas mais do que tudo, o que achei mais do que emocionante foi a possibilidade de percebermos que somos capazes de sermos BONS. E isso tem sido raro por aqui. Por isso acho o que aconteceu ontem SIMBOLICAMENTE importante. Falo da capacidade de gostarmos de nós mesmos. Mais do que o viralatismo terceiro mundista que nos faz repetir chavões sobre o que nos tornamos e as causas disso, podemos vencer-nos. E isso é só o começo. Nossa medalha será a de outro, prata e bronze.
Seguiremos nessa polaridade política (que é mundial) por mais algum tempo (talvez pra sempre), mas independente dela, creio que temos que crer na nossa capacidade de um inconformismo alegre, capaz de com a alegria que nos caracteriza transformarmos nossa precária realidade. Parabéns pra nós!

 

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