Posts Em Destaque

Fragmentos PAIS E FILHOS

Filho- Pode parar. Estou como que oco depois de dizer o que me entalava. Ou me enlatava. Mas a ideia me pareceu boa. Fazê-lo dizer o que penso. Ouvir sua voz expressar meus pensamentos. Sinergia. Mesmo que falsa. Mas fiquei sem ação, então, corta!

Pai- Como num final de filme em que os letreiros sobem e ficamos olhando pra tela como se estivéssemos de fato lendo cada um dos nomes e funções. Como se fosse relevante saber o nome do terceiro assistente de direção, da preparadora de elenco ou do motorista da Van. E só levantamos de fato porque as luzes se acendem e os espectadores da próxima sessão já fazem barulho lá fora pra ocupar seu lugar e sentir coisas parecidas com as que sentiu. Como se de fato tudo fosse começar de novo quando o projecionista apertasse o play.

Filho- Exatamente isso. Ou pior. Melhor: chegou a hora do aguardado refrão e todos cantam juntos efetuando a catarse que esperávamos e soltamos as vozes e soltamos os braços e soltamos os ares. Cantando...

Pai- Ou como se um abraço aqui e agora fosse dizer mais do que nossas palavras não foram capazes. Como se precisássemos nos redimir de nós e pra nós mesmos. Eu comigo e você com você.

Filho- Happy end pré the end.

Pai- Corta!

Filho- Como se aceitássemos que as ligações semanais com as mesmas respostas para as mesmas perguntas como suficientes pra nos sentirmos plenos nessa relação. Mas a verdade é que nos sentimos. Porque não consigo encontrar nada mais a dizer. A não ser que a opção seja também relacionar os itens que configuram os juros de quase quinze por cento do rotativo do cartão de crédito.

(fragmento de PAIS E FILHOS, parte 2 de LASANHA DE BERINJELA AO MOLHO BRANCO QUEIMANDO EM FOGO BAIXO. Em processo. Com Evas Carretero e Roberto Borenstein. Texto e direção desse que aqui escreve)

Posts em breve
Fique ligado...
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Nenhum tag.
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

Vinícius Piedade