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Fragmento do livro novo (MEU MUNDO IRREAL)

August 31, 2016

Me deu um mal jeito nas horas. Hoje é que dia? Terça ou quinta? Natação. Um dia vou fazer natação. Dizem que só natação salva. Mais que Buda/Jesus/Maomé/Chocolate. Amém. Nadar é preciso. Viver? Me afoguei no sonho de outro pesadelo. Foi rápido. Como a morte. Casa suja. Espirro pó. Melhor pela boca o ar entrar e pelo nariz sair ar. Demora pra limpar. Corizando-me. Cômodo é ignorar cada cômodo. Falta de disposição temporal. A barba ao menos tá semi-feita. Meio caminho arfado. O cabelo no mais está quase longo. A roupa está passada como uva (passa). Liguei o rádio torcendo por um Led ou um Floyd e passei-me a limpo. Sem música, só trânsito. Pra onde vão tantos todos? Indo ou voltando? O mundo todo pra cá e pra lá. Eu prestando atenção. Como se fosse sair; como se tivesse pra onde ir; como se tivesse carro; como se tivesse pressa. Deu agora até saudade do carro ex-meu. Vendido ano ex-passado. Mó saudade. Mais que da avó que morreu também passado um ano. Já não estava bem a algum tempo. O carro. Câncer. A avó. Muito tempo tempo de vida. O carro e a avó. Mas eu convivia mais com ele. Mas gostava da avó que partiu sem nem mesmo dizer oi. Mas a vida é assim. Um dia acontece isso. Você tem que vender o carro. E o ex-meu vendi a contra-gosto. Chorei. No velório. Da avó. Muito. Tinha vendido o carro no dia anterior e ainda não me conformava. Um câncer sei lá onde. Onde? Câncer é uma coisa realmente filha da puta. Tipo fundir o motor. Nada que você faça pode evitar. Ou pode? Se eu pudesse fazer algo para evitar isso em mim eu faria. Não quero fundir-me. Se dissessem não coma arroz, não tome leite, não acelere tanto na subida, mude de time de futebol, coloque adesivos de rádios de músicas universitárias na janela do quarto, corte sal+açucar+sexo+queijo-de-cabra, não pare no sinal vermelho, se curve lá pra Alá, eu faria isso tudo. Tudo isso junto. Mas não dizem nada. Só dizem, tal pessoa tá com câncer e a pergunta que te domina a alma é por quê? Tantos porquês. Um deles: haveria interesses escusos na existência do câncer? Será? Por que não investem toda a porra do PIB PQP pra exterminar isso que nos extermina? Não sei. Ricos morrem de câncer também. Aliás, só ouço falar de ricos que morrem de câncer. E como eles detém o conhecimento, talvez eles estejam investindo milhões para salvar a vida dos seus conterrâneos. Tô pronto pra não sair, pronto. Roupa com cara de nova mesmo sendo do século passado. Herança do pai da mãe. Mas ele sempre cuidou bem de suas coisas. Menos da mãe. Me disse uma vez que ganhava brinquedo e não tirava da caixa. Doente a mãe que adquiriu tal hábito. Dó. Não é possível. Sei lá, são só des-pensamentos de quem acordou num pesadelo maior que o do sonho.

(Ficção. Trecho do conto “SOL NA CARA” - livro novo "MEU MUNDO IRREAL)

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