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Caras e formas

Quando ouço conversas

de pessoas que estão atrás de mim

no metrô de qualquer lugar

formo na cabeça

o físico daquelas vozes.

Dou corpo para os sons

e contornos para os tons.

Peso, tamanho, cor dos olhos, dos cabelos, modos de vestir, de piscar.

Sempre erro.

De longe.

Engordeço os magros

e tiro peso das costas dos gordos.

Os baixos crescem num piscar de olhos

e os altos não conseguem nem segurar o apoio de tão baixos.

A loira ganha ruivesa

e a Mara vira Xuxa.

A grisalha ganha vinte anos

e o jovem ganha bengala.

A bela vira fera

e a poesia vira crônica.

O negro fica pálido

e o branquelo é black power.

Do barbudo não sobra nem o bigode

e a tatuada sequer tem marca de nascença.

Dou tatuagem de dragão para o engravatado com gel

e óculos de grau ao que gargalha de ray-ban.

O careca com seu coque tá na moda

e o cabeludo esconde a careca num panamá.

A freira exibe as coxas

e o evangélico batuca candomblé.

O torcedor tricolor é rubro-negro

e apressada é zen.

Olhos azuis ficam pretos

e esverdeio aqueles cinzas.

Rap universitário vira sertanejo da perifa

e até o que calado ganha musicalidade.

Uma nova conversa me grita novas caras

mas

e eu desço na próxima estação.

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Vinícius Piedade