Posts Em Destaque

Ressocialização

January 5, 2017

Quando a questão prisional e da podridão do sistema carcerário começar a ser tratada como uma questão nossa, minha, sua e de toda a sociedade, começaremos uma discussão séria. Por enquanto o que temos (e sempre tivemos) foram medidas paliativas a meu ver todas equivocadas. Não existe nem nunca existiu no Brasil um trabalho em larga escala que pensasse a ressocialização dos presos. Isso não foi preocupação de nenhum governo de nenhum partido, diga-se de passagem. É evidente que sempre existiram pessoas comprometidas com essa causa e que fizeram trabalhos importantes nesse sentido, mas longe de conseguir contaminar o sistema. Foram e são batalhadores essenciais e que precisam ser ouvidos. 
O fato dessa questão passar longe de qualquer debate político, mostra como a questão prisional parece irrelevante. É como se os presídios fossem outra dimensão. Mas, má notícia: não são. Essas questões são tão relevantes quanto transporte, saúde e educação. Sem falar segurança pública! Medidas apenas paliativas tem resultados apenas paliativos. 
A verdade é que através dos anos os presos se organizaram de uma maneira tão surpreendente que hoje eles tem uma estrutura pronta para acolher aqueles que não tem a menor assistência do estado que é apenas punitivo. Organizações como o PCC tem condições de dar assistência jurídica para os presos e financeira para suas famílias. Cooptar esses para as facções, então, não é tarefa difícil, de modo que mais do que nunca os presídios são sim faculdade do crime. São e serão cada vez mais. Sorte deles? Azar o nosso? Quem somos nós? Quem são eles? Se estamos numa mesma sociedade, o barco é o mesmo. Ou não? 
Nesse momento o governo federal anunciou o repasse de milhões para construção de novos presídios e afins. Ou seja, continuam não querendo debater a questão, querem anunciar montantes impressionantes como se isso de fato resolvesse a questão. Não resolve. Infelizmente os governos anteriores também não trataram a questão a sério como deveriam e como esperávamos, de modo que temos um efeito cascata. 
É evidente que quando acontece um episódio como a terrível chacina no presídio de Manaus, a questão volta ao debate. Mas garanto que já na semana que vem essa questão vai voltar a ser irrelevante e só voltaremos a falar sobre isso no próximo massacre. E enquanto essa questão for irrelevante, o problema vai aumentando como bola de neve. 
O cara que tá preso uma hora vai sair, meu irmão, e aí a gente sabe que ele vai trabalhar para os que trabalharam por ele e ainda assim, quando sai da cadeira está pronto pra voltar, num ciclo vicioso e viciado. Quando sai diz "até logo" para os que ficam!
Nesse sentido repito que é oportuno reverberar o debate daqueles que discutem essa questão da ressocialização com consistência e pesquisa. É preciso organizar pensamentos ativos e medidas afirmativas e não apenas pensamentos reativos e medidas retaliativas sobre o cárcere. É preciso que essa questão não saia da pauta. 
A guerra entre as facções é apenas uma nuance do empoderamento dessas organizações. De modo que a questão não é erguer novos presídios ou aumentar o número de presídios com bloqueadores de celular. Pensar dessa forma é apenas colecionar mais equívocos. A questão é repensar o sistema como um todo partindo de novos parâmetros verdadeiramente ressocializantes.
O crime está cada vez mais organizado e o estado cada vez mais desorganizada. Sorte de quem? Azar de quem?

Please reload

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Posts Recentes

November 6, 2019

September 17, 2019

September 12, 2019

September 9, 2019

August 19, 2019

August 12, 2019

August 5, 2019

August 2, 2019

June 16, 2019

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Siga