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Ressocialização

Quando a questão prisional e da podridão do sistema carcerário começar a ser tratada como uma questão nossa, minha, sua e de toda a sociedade, começaremos uma discussão séria. Por enquanto o que temos (e sempre tivemos) foram medidas paliativas a meu ver todas equivocadas. Não existe nem nunca existiu no Brasil um trabalho em larga escala que pensasse a ressocialização dos presos. Isso não foi preocupação de nenhum governo de nenhum partido, diga-se de passagem. É evidente que sempre existiram pessoas comprometidas com essa causa e que fizeram trabalhos importantes nesse sentido, mas longe de conseguir contaminar o sistema. Foram e são batalhadores essenciais e que precisam ser ouvidos. O fato dessa questão passar longe de qualquer debate político, mostra como a questão prisional parece irrelevante. É como se os presídios fossem outra dimensão. Mas, má notícia: não são. Essas questões são tão relevantes quanto transporte, saúde e educação. Sem falar segurança pública! Medidas apenas paliativas tem resultados apenas paliativos. A verdade é que através dos anos os presos se organizaram de uma maneira tão surpreendente que hoje eles tem uma estrutura pronta para acolher aqueles que não tem a menor assistência do estado que é apenas punitivo. Organizações como o PCC tem condições de dar assistência jurídica para os presos e financeira para suas famílias. Cooptar esses para as facções, então, não é tarefa difícil, de modo que mais do que nunca os presídios são sim faculdade do crime. São e serão cada vez mais. Sorte deles? Azar o nosso? Quem somos nós? Quem são eles? Se estamos numa mesma sociedade, o barco é o mesmo. Ou não? Nesse momento o governo federal anunciou o repasse de milhões para construção de novos presídios e afins. Ou seja, continuam não querendo debater a questão, querem anunciar montantes impressionantes como se isso de fato resolvesse a questão. Não resolve. Infelizmente os governos anteriores também não trataram a questão a sério como deveriam e como esperávamos, de modo que temos um efeito cascata. É evidente que quando acontece um episódio como a terrível chacina no presídio de Manaus, a questão volta ao debate. Mas garanto que já na semana que vem essa questão vai voltar a ser irrelevante e só voltaremos a falar sobre isso no próximo massacre. E enquanto essa questão for irrelevante, o problema vai aumentando como bola de neve. O cara que tá preso uma hora vai sair, meu irmão, e aí a gente sabe que ele vai trabalhar para os que trabalharam por ele e ainda assim, quando sai da cadeira está pronto pra voltar, num ciclo vicioso e viciado. Quando sai diz "até logo" para os que ficam! Nesse sentido repito que é oportuno reverberar o debate daqueles que discutem essa questão da ressocialização com consistência e pesquisa. É preciso organizar pensamentos ativos e medidas afirmativas e não apenas pensamentos reativos e medidas retaliativas sobre o cárcere. É preciso que essa questão não saia da pauta. A guerra entre as facções é apenas uma nuance do empoderamento dessas organizações. De modo que a questão não é erguer novos presídios ou aumentar o número de presídios com bloqueadores de celular. Pensar dessa forma é apenas colecionar mais equívocos. A questão é repensar o sistema como um todo partindo de novos parâmetros verdadeiramente ressocializantes. O crime está cada vez mais organizado e o estado cada vez mais desorganizada. Sorte de quem? Azar de quem?

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