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Texto de Quinta - ONU X OMC

January 12, 2017

Os Estados Unidos estão bebendo do próprio veneno. Depois de se meterem direta e indiretamente em eleições pelo mundo inteiro, dessa vez os russos de alguma forma influenciaram as eleições americana. E eles ficaram indignados. Claro, quem não ficaria? Quem não ficou?
É sabido e confessada a participação americana na instauração de ditaduras na América Latina, participação ativa em eleições diretas e indiretas no Oriente Médio (usando medidas letais como assassinato de líderes, por exemplo) e influência direta e indireta também na Ásia e na Europa. 
Agora eles reagem com indignação e surpresa em função dos ataques dos hackers russos que com interesse próprio influenciaram parte do eleitorado. Dá vontade de perguntar em voz alta “viu como é bom?!”. Não dá?
E isso, por mais que de alguma forma possa dar um gosto de vingança global, pode ser prejudicial para as relações internacionais pelo menos nos próximos quatro anos. A seguir cenas do próximo capítulo. Vem aí o Show de Trump. E... até a vista, Obama!
O peso dos EUA no mundo faz com que nesse momento todos comentem os possíveis legados de Obama. Olha eu fazendo isso aqui! E as leituras e interpretações são as mais variadas. Já ouvi quem o comparasse com um santo e quem o comparasse ao capeta. Cada um com os próprios interesses e linhas de pensamento na ponta da língua. 
De minha parte confesso que sentirei falta desse cara que conseguiu humanizar o cargo de mais importância no mundo. Digam o que disserem, Obama conseguiu algo que parecia impossível: tirou dos EUAs a função de polícia do mundo. Pra alguns por covardia. Pra outros por coragem. E foi nesse vácuo que a França, a Rússia e a Alemanha entraram e passaram a dividir o protagonismo da diplomacia mundial. Não digo com isso que os EUAs se abstiveram de todas as questões, mas ao menos na era Obama, ao contrário da era Bush, os EUAs passaram a não protagonizar todos os debates e mais que isso, não resolvê-los “do jeito deles”. Obama vai fazer falta. E só o tempo dirá o verdadeiro legado dele dentro e fora dos EUAs. E se me perguntarem de quem eu gostaria de ter sido amigo, eu vou dizer que Obama é o cara!
Veremos já na próxima semana quando Trump receber o controle remoto das bombas atômicas o que esperar dos próximos anos. Dá pra imaginar. Mas não há certezas. 
É notável que a invasão do Iraque em 2003 relativizou a importância da ONU e isso se deu exclusivamente a opção americana de simplesmente ignorar as determinações de um órgão que tinha uma importância fundamental desde o fim da segunda guerra. Depois disso a intuição passou a ter um caráter apenas simbólico. É evidente que nos tempos de Obama, a Organização das Nações Unidas voltou a ter alguma relevância, mas jamais como antes da invasão do Iraque. A OMC (Organização Mundial do Comércio) parece cumprir algumas das funções mais relevantes da ONU. Basta lembrar que quando a Rússia invadiu a Criméia em 2014 as discussões giraram em torno de sanções econômicas e quem melhor do que a OMC pra liderar tal “ofensiva”? A ONU?
Ainda assim Obama sempre preferiu que as decisões sobre ações contra o Estado Islâmico (ISIS), por exemplo, passassem antes pela ONU do que apenas pelo congresso americano. Pois até nesse sentido o retrocesso que teremos daqui pra frente é evidente. Na última semana a fala de Trump sobre a ONU colocou em perspectiva como a instituição pode perder mais ainda relevância nos próximos anos. E poderá se irreversível. Ele disse que a ONU é “perda de tempo e de dinheiro”. Em outra ocasião ele disse que a ONU não era nada mais do que “um clube pra se divertir”. Disse que não resolviam problemas e sim “causavam problemas”. Tudo indica que ele vai se comportar não como polícia e sim como xerife do mundo. Desprestigiar a instituição já é um sinal claro disso. 
Mas os americanos acusarem a Rússia pelos mesmos crimes que eles sempre cometeram parece ao mesmo tempo irônico e cruel. Claro que Trump pode trair Putin num estalar de dedos, mas o que tudo indica é que estamos longe de uma nova guerra fria (quente). Pelo contrário, tudo indica mais uma aproximação dessas duas grandes potências atômicas do que um distanciamento. Se isso é bom ou mal, vai depender também do ponto de vista. Bem ou bom? Mal ou mau? Decida. 
E digo tudo isso do canto Sul dessa América, Brasil, que com uma diplomacia que voltou a ser frágil, pode agora sim almejar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, agora que a instituição está por um fio. Mas pouco importa, para os daqui com a famosa síndrome de vira-lata isso já é uma grande coisa. Pra esses eu digo: podem latir!

(Texto de Quinta - publicado todas as quintas no site viniciuspiedade)

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