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JONATHAN FRANZEN E A NOSSA LIBERDADE

January 31, 2017

Fim. Não chega a ser uma sensação de morte, mas quase. Terminar um livro que marcou o ritmo dos seus pensamentos por um tempo/espaço X, nos dá uma certa sensação de morte, não dá? Game Over. Fim. 
O livro LIBERDADE de Jonathan Franzen foi tão intenso pra mim, que juro que pensei em ficar de luto depois do livro terminado, sem ler mais nada por uns tempos, só na reverberação dessa obra. Só não o fiz porque já tinha outro livro me olhando com cara de moça sensual e convidativa.
Mas ao longo das 700 páginas de LIBERDADE, entendi que estava mergulhando num documento de nossos tempos. Porque ao retratar uma família norte-americana contemporânea da forma como ele faz, ele fala de todos que vivemos no ocidente e oriente em tempos de domínio cultural dos Estados Unidos sobre o mundo. E por mais particulares que sejam as questões, eu em São Paulo, alguém em Zurique, ou em Budapeste ou em Caracas ou em Tóquio ou em Stuttgart ou em Toronto ou em quase todos os lugares do globo vai achar que ele fala sua própria história, ou a história de seu lugar. E não falo de um livro de antropologia ou sociologia. Falo de uma obra literária. Grandiosa.
É curioso saber que o livro se transformou num best-seller. Porque normalmente os livros mais vendidos tendem ao superficial, ao raso, ao fácil, ao óbvio. Talvez a forma/conteúdo de Franzen consiga atingir o nível raro de uma obra refinada e simples a um só tempo, popular, mas sem o barateamento de linguagem/conteúdo. O útil e o agradável. Do agradável o útil. Útil no agradável. O agradável do útil. Talvez a grande busca de boa parte dos artistas. Talvez. 
Meu encontro com o livro: eu estava num aeroporto qualquer esperando o embarque quando me deparei com o livro na pequena livraria/revistaria do saguão. Aquele livro gordo com aquele título arrogante “LIBERDADE” me chamou atenção. O selo do jornal inglês THE GUARDIAN dizendo “melhor livro do século” mais me gerou repulsa que atração. Essas constatações exageradas de jornais e revistas sempre me parecem matéria comprada. Mas eis que abri numa página qualquer e... não consegui mais parar. Comprei o livro (o que é um equívoco porque os livros nos aeroportos são sempre mais caros) e larguei tudo o que estava lendo. Tal como dona de casa noveleira, mergulhei nas nuances de Franzen dia a dia como se cada dia fosse o último capítulo. E era. E quando o livro acabou eu disse, MELHOR LIVRO DO SÉCULO.
E como é bom saber que Jonathan Franzen está em plena atividade. É um daqueles autores que cravam seu nome na história de nossas vidas. E na história do mundo. Quem leu sabe do que estou falando. E quem não leu, eu recomendo ler devagar pra demorar a sentir essa quase morte, sabe como é?

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