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Texto de Quinta: Bragantino

September 29, 2017

Eu sempre traço paralelos do teatro com o futebol. Chego a ser chato nessas metáforas futebolísticas/teatrais.
E nas andanças teatrais/futebolísticas, além de conhecer os teatros, gosto muito de conhecer os estádios locais. Claro que o ideal é ver os jogos acontecendo nos estádios (na mesma medida que as peças nos teatros). Mas quando não é possível ver as peças rolando (ou o jogos acontecendo), é bom conhecer esses templos de acontecimentos apaixonantes, mesmo vazios. Nos teatros vazios imagino as cenas sendo feitas, bem como nos estádios imagino os lances. A torcida gritando gol diante do gramado, e o público aos prantos diante do palco (ou aos risos), um lance ousado de um craque ou de um ator, um conflito, um gol contra, um texto esquecido, uma trama, uma estética, um esquema tático, um jogador, uma atriz, uma diretora, um técnico. Um jogo chato, uma peça insuportável, um jogador ruim, um ator precário, um estádio lotado, um teatro vazio, um teatro abarrotado, um estádio sem torcida, um bate-papo pós-peça, a entrevista coletiva, uma falta, um erro técnico. Nos estádios/teatros sem jogos sinto a energia paupável dos acontecimentos demasiadamente humanos que por lá aconteceram. Os grupos de teatro/times que por lá passaram. Um lance individual ou um monólogo. Uma bola pra fora, um timing perdido. A torcida canta e o público aplaude. O árbitro ofendido em voz alta equivale aos que dormem na cena mal dirigida? Peça infantil, jogo para todas as idades, a estrela e o craque, o zagueiro nunca é apenas um figurante, mas um figurante é sempre um zagueiro. O Hamlet jogaria com a 10 ou com a 9? O goleiro pode virar vilão e o herói pode perder o pênalti. Tadeusz Kantor se comportava como um técnico de futebol na beira do palcos e o Guardiola se comporta como um gênio do teatro na beira dos gramados. Aqueço o corpo e faço reconhecimento de gramado em todos os palcos que piso. Sentir a importância do jogo ou dizer que toda peça é como se fosse final de campeonato? Jogos decisivos a cada saída do camarim/vestiário?

Ver os grandes atores me fascina tanto quanto ver os grandes jogadores. Já vi ao vivo peça do Al Pacino e o William Nadylam, mas também já vi o Cristiano Ronaldo fazer três gols em jogo de Champions Ligue e o Messi fazendo tabelinha com Neymar no Camp Nou. 
Jogos inesquecíveis nos estádios e nos teatros. 
O efêmero se faz eterno nos palcos futebolísticos e nos gramados teatrais.

Estando em Bragança Paulista para realização de CÁRCERE dentro do Circuito Cultural Paulista, decidi conhecer o templo do futebol local: o estádio do Bragantino. O time que viveu dias gloriosos no começo dos anos 90 e que hoje vive sempre na berlinda, conseguiu superar por uns tempos os grandes times brasileiros e figurar entre os grandes. E por mais que hoje só viva de lembranças de tempos especiais, quando me vi dentro do estádio sozinho no gramado pude imaginar muitas das peças que por lá se desenrolaram. 
Amanhã terá jogo no estádio, então o senhor que pinta as linhas do gramado me pediu licença dizendo que era hora de preparar o gramado para o jogo. Na mesma hora me lembrei que era hora de eu ir ao teatro preparar o corpo e a voz para a final de campeonato de hoje.

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