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Diário Pirata: Nova Déli – Índia. Hoje.

March 16, 2018

 

 

Aquilo que as fotos não captam, que os vídeos não absorvem e nem mesmo os textos abarcam, acabam por compor mais reticências para as nossas já infindáveis camadas de subjetividade.

Existem experiências que resignificam a linearidade do tempo. E através de tais experiências as lógicas que criamos na cabeça sobre ser e estar (e sobre “o ser e o nada”), se rompem e começamos a ver o existir sob outro prisma. Manter os poros abertos para sermos atravessados por tais momentos é o grande desafio. Romper com determinados parâmetros e lógicas que cada cultura nos propõe (ou impõe), traz outras vidas dentro desta vida.

O trem precário que passa por Nova Déli a caminho de Agra (onde fica o Taj Mahal), o mais barato e lento (que dura quatro horas para chegar), me proporcionou aquilo que digo ser de impossível descrição. Mas tento fingir que descrevo ao menos para não aceitar o tamanho do egoísmo que há em não dividir aquilo que me foi tão caro e raro.

Que fique claro: não basta sentar a bunda na cadeira (que é uma cama) e olhar o mundo em volta da estrada de ferro. Há que se andar no trem de ponta a ponta, longa caminhada, atravessando mundos, cozinhas, jogos de cartas, silêncios meditativos, tesões reprimidos, comidas nos pratos, risos desesperados, rezas cantadas, olhares famintos, conversas misteriosas, vendedores de um tudo, respirando fundo em cada vagão. E quando a tontura das imagens, cores, olhares, deuses, cheiros te dominar, é fundamental quase se matar numa porta que dá para o nada (se é que a morte é o nada) e sentir a crueza do vento que vem com cheiro da pimenta das panelas sempre prontas para alimentar bocas que compõe esses mais de um bilhão de habitantes.

Essas intersecções são a possibilidade de entender a infinidade de deuses que cada ser comporta, sejam os milhares de deuses hindus, seja o grande Alá do Islã, seja o Deus dos Sikhis que neles colocam turbantes de uma beleza só semelhante a beleza das cores das roupas das mulheres com outros deuses, deuses todos esses, em minúscula ou maíscula, que nesse lugar fazem questão de não guerrear por suas verdades eternamente absolutas.

E por mais que a viagem termine, em mim, aqui, agora, o trem continua correndo varando o mundo, o dia, a noite e a madrugada através da Índia, como que com pressa de chegar no infinito que há em nós.

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