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DIÁRIO PIRATA: Porto – Portugal. AGORA.

April 5, 2018

DIÁRIO PIRATA: Porto – Portugal. AGORA.

A questão não é chegar numa cidade, apresentar a peça e me mandar. Isso simplesmente não me é possível. É preciso vivenciar a cidade. Comer a comida do lugar. Sentir o vento frio que bate na sua cara e que vem do infindável horizonte do lugar. Ouvir as músicas que as pessoas do lugar escutam. Assistir o teatro feito pelos artistas do lugar. Subir as ladeiras do lugar (e neste lugar em que estou agora isso é vital). Por dez segundos (ouvinte ou trinta) se apaixonar neste lugar. Pensar em outro lugar intensamente (sobretudo no lugar que te pariu... que o pariu). Sentir os cheiros dos diferentes lugares do lugar. E brindar ao lugar no lugar. Não se perder nas ruas do lugar é o mesmo que não ter estado no lugar. 
Fazer a peça é só uma parte do processo. Não é o fim. É o meio. 
Nesse sentido tenho a sorte (e trabalho muito pra ter essa sorte) de conseguir ficar ao menos alguns dias em cada lugar (em alguns dos lugares tenho conseguido ficar vários dias) por onde passo. Esta circulação 2018 é exemplo prático disso. Seja no Brasil, seja fora, tenho visto o mundo de diferentes perspectivas. 
Seria inconcebível realizar uma turnê como de artistas da música que fazem sequência de shows que os forçam a ter uma rotina aeroporto, hotel, show, hotel, aeroporto. Isso na prática é o mesmo que não ter saído da sua casa. 
Ao conceber uma obra e olhar para a bola azul onde vivemos, eu constato que o trabalho será longo, já que a meta sempre é romper os limites imaginários das fronteiras. Mas para não me perder na sensação de férias infindáveis, ou da solidão absoluta, acabo por criar rotinas que me são imprescindíveis, como a de dedicar horas por dia para produzir os meses seguintes, para ensaios, para escrita, para leitura, para exercícios, para amigos, e naturalmente para conhecer os lugares (com todas as suas nuances). Isso faz dos dias curtos. Absurdamente curtos. E ao pensar agora nos tantos lugares que temos pra conhecer (com tantas culturas), me vem uma sensação quase angustiante de que uma vida é pouco. O único alívio vem do fato de que neste tempo que resta (imponderável) pode-se vivenciar uma eternidade por dia. Uma eternidade de cada vez. 
Hoje acontece CÁRCERE por aqui depois de uma semana a calejar meus pés nesse lugar. Amanhã rumo à Lisboa para novas eternidades.

(Texto de Quinta - publicado todas as quintas-feiras)

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