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No metrô de Berlim numa tarde de frio qualquer no fim do outro de 2018

December 3, 2018

Ele entrou no metrô conduzindo um carrinho de bebê com um moleque de uns quatro anos dentro e ao seu lado um cachorro marrom em uma coleira. Tinham dois lugares vagos bem na minha frente. Ele primeiro acomodou o carrinho, em seguida o cachorro, depois se sentou. O moleque reclamou de alguma coisa, então ele o soltou do carrinho e colocou-o sentado ao seu lado. O moleque loirinho usava um macacãozinho jeans. O cachorro marrom também reclamou de algo, então ele puxou o carrinho pra trás dando mais espaço para o cachorro se movimentar. O homem então abriu sua mochila e sacou de lá um sanduíche embrulhado num papel toalha. Entregou o sanduíche para o moleque que sem titubear se arrumou na cadeira, colocou a chupeta ao seu lado e começou a comer. Parecia estar com fome. E o sanduíche parecia realmente bom. Antes que eu avisasse homem da chupeta na cadeira, ele a pegou, limpou na blusa e guardou na mochila. O cachorro se aproximou do moleque pra saber se o sanduíche era bom. O homem então enfiou a mão dentro da mala e achei que fosse tirar algo para o cachorro comer, mas logo vi que era um sanduíche idêntico ao do moleque. Desembrulhou e começou a comer com a mesma satisfação do moleque. O moleque que estava distraído com seu próprio lanche, ao ver o homem também comendo um sanduíche parou de mastigar e observou o sanduíche do homem. Em seguida olhou o seu próprio e novamente para o do homem. Voltou a mastigar constatando que eram iguais. O cachorro ficou na dúvida se pedia um pedaço para o homem ou para o moleque, olhava pra um e para o outro que alternavam as mastigadas. Optou pelo homem que logo tirou da mochila um daqueles biscoitos de cachorro rapidamente abocanhado. Os três então ficaram assim, mastigando contentes, sem falar nada (ou latir), apenas lá, mastigando, com aquele olhar perdido pelo vagão do metrô. Até que num rápido instante que deve ter durado um ou dois segundos, os três olharam pra minha cara. Não pararam de mastigar, apenas olharam se perguntando, talvez, que porra eu tanto olhava pra eles? Rapidamente disfarcei, como quem é pego em flagrante em algo reprovável e olhei o nome da próxima estação no letreiro do metrô. Era a minha. Teria que descer. Mas achei aquela cena dos três mastigando no metrô tão bonita que pensei em tirar uma foto. Mas rapidamente concluí que a foto não conseguiria captar a intensidade daquele momento que rapidamente se dissolveu. Dessas imagens que vemos o tempo todo e que em si não tem nada de realmente interessante. Mas que, por mais banais que sejam, conseguem captar a beleza da existência de maneira crua e nua.

Obs.: Se por um lado a fotografia não seria capaz de abarcar tal poética, também acho que um texto não consegue. A imagem que vi foi quase idêntica a que descrevi com uma diferença: O cara não deu um biscoito para o cachorro. Apenas os dois, o homem e o moleque, ficaram mastigando (e de fato olharam pra minha cara), enquanto o cachorro, tal como eu, ficou olhando para os dois. Mas achei que para esse texto, ter o cachorro também mastigando seria mais interessante.
Obs.2: Essa imagem banal foi captada por minhas retinas numa tarde qualquer no metrô de Berlim entre as estações Alexanderplatz e Friedrichstraße.
Obs. 3: Descreva pra mim também algum momento banal, mas poético que viu na rua hoje?

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