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DiárioDaQuerenta21: 01/04/20

April 3, 2020

DiárioDaQuerenta21: 01/04/20

Vivenciei o furacão Sandy em Nova York em 2012. Lembro da expectativa e ansiedade pelo caos. Na ocasião os mercados ficaram esvaziados de produtos, todos se preparando pra dias sem sair de casa. O furacão já havia passado por Cuba e causado muito estrago. E agora que ele vinha em direção a dita capital do mundo, gerava muito alvoroço no mundo todo. Só se falava nisso. Pra mim aquela sensação era muito nova e não fiquei assustado com a maioria das pessoas. Lembro que minha apresentação na cidade aconteceu um dia antes de absolutamente tudo fechar para a chegada do furacão prevista pra dois ou três dias depois. Até o metrô iria parar. Nem na guerra o metrô havia parado. E havia uma contagem regressiva agonizante. Me isolei na casa de uma amiga com outros amigos e cada um se focou nas suas atividades criativas. O pianista foi para o piano, a artista plástica foi pintar, a escritores foi escrever. Não me lembro do que eu fiz nesse período de isolamento. Estávamos proibidos de sair de casa e na expectativa do pior. Como estávamos numa área baixa do Brooklin, existia o risco de termos que fugir de lá. Estávamos no que chamavam de linha amarela, no limite da linha vermelha. Todos da linha vermelha haviam sido transferidos pra outras áreas. Lembro do celular da minha vida receber um aviso sonoro alto que muito nos surpreendeu. Era o aviso de que aquele era um momento crítico. Ela não sabia daquele toque que seu celular emitia quando as autoridades usavam algum mecanismo emergencial. No ápice da situação, eu fui até o quintal pra sentir o furacão na pele. Experiência louca que me gerou uma gripizinha (sério). Mas Sandy veio com menos força do que esperavam. Causou estragos nas áreas baixas da cidade, em Downtown de Manhattan e nas áreas beira do rio. Boa parte da cidade ficou sem luz e sem calefação por uma semana (estávamos no começo do inverno). Lembro de uma amiga que morava no SoHo e que não conseguia ficar em casa pelo frio que se juntou ao nosso isolamento. Nos dias seguintes após a dissolução de Sandy, percorremos as ruas constatando os estragos. Era realmente triste. Mas rapidamente eles se refizeram.
Lembrei hoje daquela nossa semi-quarentena tensa, mas lúdica, nesse momento de quarentena infindável. Lá havia muito medo da destruição e consequências que um furacão pode causar, mas ao menos sabíamos que não iria durar muito. Talvez a grande agonia desse momento que vivemos agora seja a sensação de que vai durar pra sempre. Não vai durar pra sempre, sabemos. Mas essa é a sensação, e a imprevisibilidade temporal desse confinamento gera tamanha ansiedade. Mais que furacão.

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