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Acordei hoje com VASTAS EMOÇÕES. E PENSAMENTOS IMPERFEITOS.

April 16, 2020

Acordei hoje com VASTAS EMOÇÕES. E PENSAMENTOS IMPERFEIROS.
Eu era office-boy e ficava pra lá e pra cá o dia inteiro nos buzões da cidade. E se tinha uma coisa que eu gostava de fazer nesses trânsitos intermináveis, era devorar os livros do Rubem Fonseca. O mesmo se dava nas imensas filas dos bancos. Naquele tempo não se pagavam contas on line, brother. Era fila da fila pra fila.
Os livros dele me faziam presentificar os momentos e vivenciar a intensidade que cada instante pode ter. Me apresentavam o submundo em primeira mão e com sua escrita cortante e cinematográfica, me vazia ser cúmplice das situações. Me escrachava a sordidez humana com uma desenvoltura impressionante. E abordava a sensualidade com um despudor incomum me fazendo vez em quando olhar em volta pra ver se alguém me flagrava lendo aquilo. Certamente me julgariam depravado lendo as descrições detalhadas que Fonseca fazia, sem que o livro fosse de fato pornográfico.
Sem meias palavras, e com todos os palavrões necessários, ele nos fazia ver a vida expressa sem filtro em suas páginas. A inteligência e perspicácia de alguns de seus personagens me fazia mais inteligente (e perspicaz – talvez mais cínico também).
O primeiro livro que li dele foi FELIZ ANO NOVO, e nunca mais fui o mesmo. Não que antes disso eu não gostasse de ler, mas essa obra me abriu um apetite literário que jamais cessará. A partir daí, devorei as obras completas do escritor.
Frequentemente eu entrava nas livrarias e ia direto para o F de Fonseca pra ver se tinha obra nova. Lembrando que era um tempo em que não consultávamos tudo pela internet. Estou falando dos anos 90. E claro que isso avançou pelas décadas até chegar no ontem, data de seu falecimento. Mas que êxtase era descobrir um livro novo seu, escritor profícuo. Confesso que os livros dos últimos anos andaram me decepcionando, como se ele tivesse se tornado um subproduto de si. Mas certamente isso tem a ver com o nível de excelência que ele atingiu com as obras mais antigas, e talvez com uma certa melancolia do prazer sentido nas primeiras obras.
Ainda office-boy na hora do almoço eu comia rápido pra dominar um dos computadores da empresa pra escrever justamente contos. Como não atribuir à Rubem Fonseca tal inspiração? Acabei por lançar meu primeiro livro TRABALHADORES DE DOMINGO aos 23 anos. O livro era uma reunião de contos que comecei a escrever aos 15 anos, época em que comecei a lê-lo. E esse meu pequeno depoimento é só mais um entre tantos que tiveram sua vidas/carreiras inspiradas nele. Que lindo isso, você partir desse mundo aos 94 anos deixando tanto eco.
A Força Humana, Livro de Panegíricos, Lúcia McCartney, A Arte de Andar nas Ruas do Rio de Janeiro, Mandrake. Lembrei desses contos sorrateiramente agora. Vou parar esse texto sobre ele por aqui, por mais que tivesse tanto mais pra falar. Vou lá reler esses contos pra sorver mais do sal dessa arte tão primorosa.
Pérolas à todos, porcos ou não.
Rubem Fonseca fez literatura VIVA, e também por isso sua obra vai ser eterna. E atualizada.

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