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Camisa da seleção brasileira

April 22, 2020


Vejo muita gente que votou nesse lunático/bizarro/... presidente repensando o que fizeram (e repensando a vida também, por favor). Arrependimento não mata, porque se matasse, superaríamos os mortos pela COVID-19. Aos arrependidos, digo, bem vindos a civilização. Os que não se arrependeram e ainda o defendem, mesmo com seus atos cada vez mais bárbaros (bárbaro de barbárie, não bárbaro de “legal”), precisamos tentar entender usando o que eles não usam: racionalidade.
A alcunha de boiada que serviu tão bem a esses que saem fazendo buzinaços pelas cidades contra a quarentena (e convenhamos ninguém gosta da quarentena, mas não compreendê-la é a um só tempo insano e infantil), pode virar uma ofensa aos tão pacíficos bois (e vacas) que seguem o fluxo sem histeria (mesmo que com um mugido ou outro).
Mas o que me chama atenção há muito tempo, na verdade desde as passeatas pelo Golpe, é a forma como eles sequestraram símbolos que representam o país. E que por mais que possamos questionar nuances de tais símbolos, eles fazem sim parte da nossa história: o hino, a bandeira e a camisa da seleção de futebol. Nesse sentido, me pergunto como se sentem em relação a isso os tantos que usaram esses símbolos a favor do Impeachment e que hoje se opõe também a esse "presidente". Alguém pode me reponder?
Podemos dizer que o hino não é lá essas coisas ou que tem trechos equivocados. Podemos dizer também que falta o amor entre o “ordem e progresso” da bandeira. E mesmo que a camisa da seleção representa a corrupta CBF.
Mas que coloquemos o amor na bandeira, que façamos samba no hino e que arranquemos a CBF da camisa amarela. Mas dar de bandeja esses símbolos pra esses que parecem apodrecer tudo o que tocam me parece um equívoco. Mais que isso, eles decidiram que seus rivais (dos quais eu me incluo, please) tem que vestir vermelho. E ponto. Ponto? Não topo. Eu visto o que eu quiser. Nem que entre o verde, o amarelo, o azul e branco coloquemos pitadas de vermelho pra representar talvez os índios mortos na terra original. Não aceito que esses acéfalos definam o que eu devo vestir ou (não) cantar.
Na infância eu tinha uma camisa número 7 da seleção. Bebeto era meu ídolo máximo e usar aquela camisa me dava orgulho. O tempo mudou meus valores e perdi esse orgulho. Até porque é claro que o orgulho de ser brasileiro não pode ser representado apenas pelas vitórias futebolísticas (que viraram derrotas humilhantes através dos anos). Mas penso que o que o futebol brasileiro contou sobre o país faz parte sim da nossa história e mesmo do nosso Soft Power. Se estamos envergonhados dos nossos rumos (e estamos roxos de vergonha), não é entregando parte da nossa história de mão beijada para um bando de malucos que usam o termo patriotas pra se identificarem. Sim, eles conseguiram apodrecer até esse termo (um termo que em si é discutível). É preciso reinventar o que é ser brasileiro pra criarmos outros significados também para “patriotismo”.
As polaridades que nos mantém numa espécie de guerra fria constante não vão recrudescer num estalar de dedos. Mas enquanto estivermos nesse olho do furacão, eu digo que não aceito que parte do que fomos seja raptada por esses que deveriam usar símbolos que de fato identifiquem mais claramente suas causas (recomendo, por exemplo, a suástica).

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