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Acabou a polaridade no Brasil

May 6, 2020

Passando num semáforo ontem vi um pequeno grupo de pessoas com bandeiras do Brasil, cartazes contra o STF/Senado/Câmara e uma caixa de som com o hino do país em alto volume. Os “patriotas”, como eles se tratam, estavam fazendo seu protesto minúsculo, mas registravam com seus celulares orgulhosos em LIVES histéricas. Vi algumas pessoas parando pra fotografar tal “manifestação”. Repito, eram poucos. Poderíamos contá-los com os dedos de uma mão. Sim, quatro pessoas! Mas a reverberação que teriam com esse “ato” seria grande. Muitos, mesmo que pra criticar, acabariam por ecoá-los. Acho isso a um só tempo um erro estratégico e uma grande burrice.
Pode parecer contraditório eu dizer isso e falar deles, mas o faço por um motivo específico. Quero dizer que no meu entender não há mais polaridade no Brasil. Polaridade tínhamos quando havia contraponto, dialética e extremos com ideias opostas de fato. Com essa gente munida de mentiras, teorias conspiratórias, psicopatias, sem projeto real de país e a mais terraplanista loucura crua e nua, não há a menor racionalidade e qualquer condição de diálogo. Não consigo enxergá-los num extremo ideológico porque não vejo neles qualquer ideologia. Vejo um conjunto de conceitos pré-fabricados (des)organizados no caos de uma pérfida “visão” de país que parte de preceitos generalistas e absolutamente rasos. Nesse sentido não consigo perceber polaridade. E exatamente por isso acho um equívoco compartilhar qualquer coisa que parte deles, mesmo que pra criticá-los.
Pra ficar claro: Acho que o que tem que ser rechaçado da maneira mais enfática possível são os atos efetivos do presidente insano que eles seguem surdamente/cegamente. Esse deve ser o foco, a necessidade da desconstrução de tantos mitos que o tornaram possível. Sim, ele é a prova de que uma mentira repetida infindáveis vezes se torna “verdade”. E é em cima dessas distorções que o arsenal dos contrários a barbárie e a distopia tem que agir. Por isso, rebater, criticar ou tentar dialogar com esses que (ofendendo os bois) denominamos de boiada é simplesmente promovê-los; fortalecer suas “causas”; e fingir estabelecer contraditório. Mas não há a menor dialética!
Os exemplos das carreatas da morte são sintomáticos. Começaram minúsculo fazendo buzinaços na frente de hospitais. E claro que os que compartilharam aquilo pra criticar, tinham a melhor das intenções: expor o ridículo a que chegamos. E com isso conseguiram de fato indignar os que conseguem ter alguma sensibilidade ou sensatez. Mas, por outro lado, essa promoção conseguiu também alavancar aquela “causa”. Prova: A carreata seguinte foi muito maior. E o barulho em frente aos hospitais mais alto. Então é preciso ficar claro que eles não estão preocupados com empatia, alteridade ou civilidade. Já estão para além do extremo, doutrinados e radicalizados nessa falsa luta pelo país. Pra entender o funcionamento dessa lavagem cerebral precisaremos de tempo. Mas enquanto não encontramos vacina pra isso (e talvez demore mais que a vacina pra COVID-19), é preciso estabelecer estratégias. E o distanciamento social é sim a melhor forma de lidar com isso (tanto para coronavírus como para bozovírus).
É preciso deixá-los falando sozinhos. É preciso ignorá-los. É preciso parar de dar eco. É preciso parar de compartilhar. É preciso parar de bater palma pra maluco dançar. É preciso focar no que realmente importa. E é preciso parar de dar relevância a eles.
Leve-me a seu líder. Tem que ser ele o foco da desconstrução. Qualquer movimento na tentativa de confrontação com seu séquito é um equívoco estratégico histórico, porque, repito, não existe com eles polarização.
É preciso que os setores não lobotomizados dialoguem (mesmo que, aí sim, com alguma polaridade) para entendermos como será a reconstrução do país quando esse governo cair. Porque vai cair (na mesma medida que a pandemia vai passar).

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